domingo, 9 de maio de 2010

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Era só uma criança, que cresceu e continuou; como homem (insatisfeito), pesquisou, estudou e adentrou em todos os segredos que a vida poderia ter. Já velho ( e ainda insatisfeito), morreu. Morto, quis ser deus.
E Deus então o fez deus.
De sua divindade, se sentiu a semente, na escuridão da terra. Se sentiu germinar, brotar, crescer, florescer. Espalhar sementes e secar. Sentiu-se a terra. Na terra, sentiu-se a pedra, na pedra sentiu-se as profundezas. Sentiu-se a lava, súportou-se quente, mas não suportou a pressão; jorrou-se. Nos gases, sentiu-se o ar; sentiu-se envolvendo o voar dos pássaros, o roçar dos insetos, a sutileza das borboletas, mariposas e sementes voadoras. No ar sentiu-se alto, ele se viu nos olhos da águia, sobrevoando a caçar. E se viu no coração do camundongo, que em tamanha fobia, corria em disparada a se esconder. Ele se viu na língua da girafa, a saborear o frescor da manhã no sereno da folha da árvore. E se viu no olhar curioso da criança a observar uma aranha fazendo teia. Sentiu-se nuvem; a nuvem deslizava no ar. Passava pelos tempos. Sentiu-se o tempo.
Olhou para baixo e viu o homem na terra, viu-o fecundar a mulher, viu o próximo germinar, o nascer, crescer, desenvolver, multiplicar, morrer. E todos esses seres, homens e animais, repetindo-se. E viu que o homem faz a guerra, vida, doença, cura, morte; inventa, constrói e destrói. e viu nas atitudes do homem o desespero. Viu os animais se extinguindo, as plantas secando, a agua findando.
E tudo isso, sendo deus, ele sentiu, ele viu, ele foi. Então subiu mais e mais. Do espaço, ele viu a Terra e descobriu que, apesar de tudo, ela é a mais bela e experiente obra da Vida.

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